A produção de café na Guatemala está enfrentando uma nova crise. Não, não é a ferrugem, a mudança climática ou os baixos preços do café. Mas sim todos eles, que juntos estão fazendo com que um maior número de trabalhadores e alguns proprietários de terras abandonem as fazendas de café e migrem para o norte, para os Estados Unidos.

“Você tem duas opções nesta parte da Guatemala: cultivar café ou migrar”, disse Cipriano Juventino Niz Chilel, presidente da cooperativa de café Entre Rios, em San Pablo.

De acordo com um recente artigo na Time, a Guatemala passou por três décadas de migração: guerra civil nos anos 80; “crise econômica, pobreza extrema e desastres naturais” nos anos 90; e violência doméstica e de gangues nos anos 2000, que deixaram centenas de milhares de pessoas (de uma população de 16,5 milhões) sem opção a não ser mudar para o norte.

E agora os problemas com a indústria do café estão levando ainda mais pessoas a sair. O surto de ferrugem em 2011 dizimou 20% da safra de café, tendo um efeito particularmente devastador nas variedades arábicas de alta qualidade. O surto de ferrugem só foi exacerbado pela mudança climática, com temperaturas mais quentes espalhando a doença para altitudes mais altas e também aumentando a frequência de secas, enchentes e choques frios, que podem diminuir, ou às vezes destruir completamente, a produção.

Ao mesmo tempo, países como Brasil, Vietnã e Honduras tiveram rendimentos particularmente bons, levando a uma queda no preço que os cafés guatemaltecos poderiam obter. Considerando que os produtores foram capazes de obter de US$ 170 a US$ 180 por 100 libras de café, os preços hoje estão em torno de US$ 110, abaixo do custo de investimento necessário para produzir o café.

Sem dinheiro para produção no campo de café, muitos guatemaltecos são forçados a migrar. E de acordo com a Time, enquanto muitos iriam para a Cidade da Guatemala, os baixos salários e a violência de gangues tornaram a viagem aos Estados Unidos muito mais atraente.

Para permanecer à tona, muitas fazendas de café estão seguindo o conselho da Associação Nacional de Café da Guatemala (Anacafé) e diversificando suas plantações para incluir bananas, bananas-da-terra e nozes de macadâmia. Isso poderá ajudar as fazendas a sobreviver à atual queda de preços, mas pouco afeta o emprego, já que as novas culturas não exigem perto do mesmo número de pessoas necessárias para colher o café.

É fácil esquecer, especialmente para aqueles de nós que não convivem com as circunstâncias todos os dias, que essas questões não existem no vácuo. Mudanças climáticas, agitação, violência, imigração, preços insustentáveis do café: todos estão conectados.